Edite na FAUL e Narciso no Porto

08-01-2001
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Edite Estrela, Narciso Miranda e Jorge Coelho: três «caras» do aparelho socialista. Uma para Lisboa, outra para o Porto, a terceira para todo o terreno

O EXPRESSO sabe que os esforços para assegurar uma candidatura de Edite Estrela tão consensual como foi a de Coelho nas últimas eleições internas ainda não garantiram tal cenário, e Edite - que preferia avançar com a perspectiva de unanimismo no horizonte - poderá ter que contar com a adversidade de Miguel Coelho.

No Porto, Narciso Miranda vai-se recandidatar à segunda maior distrital do partido, depois de algumas aparentes hesitações que chegaram a mobilizar militantes como Francisco Assis, que ainda na semana passada admitiu poder lançar-se na corrida, caso Narciso recuasse.

Pouco depois de ter tomado posse no Governo, há cerca de meio ano, Narciso já confessava as saudades do Norte. Nessa altura, chegou mesmo a prometer que abandonaria a Secretaria de Estado no presente mês de Abril, no dia de anos de uma das suas filhas.

O dia de anos já passou e Narciso continua em Lisboa, mas a ida da sua filha mais nova para a Suiça, onde no próximo ano lectivo irá estudar ao abrigo do programa Erasmus, poderá ser o pretexto para o secretário de Estado explicar a António Guterres e ao seu ministro Jorge Coelho o seu abandono do Governo, alegando que não quer deixar a outra filha sozinha em Matosinhos.

Narciso Miranda deverá, por isso, regressar em breve à Câmara de Matosinhos, onde manteve o cargo de presidente em suspenso. Há 15 dias, reuniu com autarcas do concelho, para se inteirar da situação no executivo do seu substituto, Manuel Seabra. O tema do seu regresso não foi abordado, mas muitos autarcas sairam do encontro com a convicção de que o secretário de Estado tinha estado a experimentar o seu velho fato de presidente de Câmara.

Quando tiver os pés assentes em Matosinhos, Narciso enfrentará o desafio de preparar a Distrital do PS/Porto para o combate autárquico. Fontes da direcção nacional do PS sublinham que caso Narciso não avançasse para o Porto deixaria o partido numa situação «muito difícil».

Narciso Miranda não esconde que gostaria de avançar para a Câmara do Porto, mas o PS ainda não se entendeu internamente sobre a sua candidatura para essa Câmara, havendo dirigentes que insistem no nome de Nuno Cardoso.

No PS, há um plano que coloca Narciso Miranda a concorrer na Câmara de Gaia. Esta solução agrada à concelhia de Gaia, cujo líder, Barbosa Ribeiro, diz ser a melhor forma de reconquistar a autarquia: «Seria um passeio para Narciso Miranda, mesmo contra Luís Filipe Menezes».

ÂNGELA SILVA e RICARDO JORGE PINTO

Edite Estrela, Narciso Miranda e Jorge Coelho: três «caras» do aparelho socialista. Uma para Lisboa, outra para o Porto, a terceira para todo o terreno

O EXPRESSO sabe que os esforços para assegurar uma candidatura de Edite Estrela tão consensual como foi a de Coelho nas últimas eleições internas ainda não garantiram tal cenário, e Edite - que preferia avançar com a perspectiva de unanimismo no horizonte - poderá ter que contar com a adversidade de Miguel Coelho.

No Porto, Narciso Miranda vai-se recandidatar à segunda maior distrital do partido, depois de algumas aparentes hesitações que chegaram a mobilizar militantes como Francisco Assis, que ainda na semana passada admitiu poder lançar-se na corrida, caso Narciso recuasse.

Pouco depois de ter tomado posse no Governo, há cerca de meio ano, Narciso já confessava as saudades do Norte. Nessa altura, chegou mesmo a prometer que abandonaria a Secretaria de Estado no presente mês de Abril, no dia de anos de uma das suas filhas.

O dia de anos já passou e Narciso continua em Lisboa, mas a ida da sua filha mais nova para a Suiça, onde no próximo ano lectivo irá estudar ao abrigo do programa Erasmus, poderá ser o pretexto para o secretário de Estado explicar a António Guterres e ao seu ministro Jorge Coelho o seu abandono do Governo, alegando que não quer deixar a outra filha sozinha em Matosinhos.

Narciso Miranda deverá, por isso, regressar em breve à Câmara de Matosinhos, onde manteve o cargo de presidente em suspenso. Há 15 dias, reuniu com autarcas do concelho, para se inteirar da situação no executivo do seu substituto, Manuel Seabra. O tema do seu regresso não foi abordado, mas muitos autarcas sairam do encontro com a convicção de que o secretário de Estado tinha estado a experimentar o seu velho fato de presidente de Câmara.

Quando tiver os pés assentes em Matosinhos, Narciso enfrentará o desafio de preparar a Distrital do PS/Porto para o combate autárquico. Fontes da direcção nacional do PS sublinham que caso Narciso não avançasse para o Porto deixaria o partido numa situação «muito difícil».

Narciso Miranda não esconde que gostaria de avançar para a Câmara do Porto, mas o PS ainda não se entendeu internamente sobre a sua candidatura para essa Câmara, havendo dirigentes que insistem no nome de Nuno Cardoso.

No PS, há um plano que coloca Narciso Miranda a concorrer na Câmara de Gaia. Esta solução agrada à concelhia de Gaia, cujo líder, Barbosa Ribeiro, diz ser a melhor forma de reconquistar a autarquia: «Seria um passeio para Narciso Miranda, mesmo contra Luís Filipe Menezes».

ÂNGELA SILVA e RICARDO JORGE PINTO

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