Uma questão de estilos

01-03-2002
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Uma Questão de Estilos

Domingo, 16 de Dezembro de 2001

Apesar do social-democrata e vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, reconhecer que um autarca de um partido diferente do do Governo "pode, eventualmente, estar mais à vontade para o afrontar", todos os presidentes de câmara ouvidos pelo PÚBLICO concordam num aspecto: as diferenças de actuação entre os dois únicos presidentes que a ANMP conheceu, Artur Torres Pereira, do PSD, e Mário de Almeida, do PS, decorrem, essencialmente, dos estilos pessoais. O primeiro mais mediático, o segundo avesso a protagonismos. Isto, eventualmente, retira força pública a actuações como a que o último teve há tempos, quando pediu aos autarcas do país que não cumprissem uma lei, a do Ruído. Mas não perturba, dizem os companheiros de direcção, a firmeza que o caracteriza nas reuniões com governantes.

Outro factor importante na actuação das direcções é quem está no Governo. Todos, inclusivamente estes e outros autarcas do PSD, dizem que o período de maior tensão que a ANMP já conheceu, se deveu a um estilo, sim, mas ao do primeiro-ministro Cavaco Silva. Aliás, Mário de Almeida liderou então a batalha da associação contra os governos do PSD - Cavaco suspendeu a Lei das Finanças Locais - mantendo a confiança dos autarcas sociais-democratas. Foi uma batalha dura, que culminou, em 1994, com o braço-de-ferro feito com Cavaco, que impôs aos homens do seu partido o afastamento dos orgãos directivos da associação. Num gesto que emocionou Mário de Almeida, os sociais-democratas empenharam-se naquilo que então se designou como "a vitória do Poder Local sobre as directivas partidárias". Obedeceram à disciplina exigida pela militância, não se candidatando ao Conselho Directivo, mas não hesitaram em votar na lista dirigida pelos socialistas, reelegendo Mário de Almeida com 95,8 por cento dos votos.

Com António Guterres, a associação conheceu uma nova fase: "A Cavaco fazíamos dez reivindicações para conseguirmos nenhuma. Com o actual primeiro-ministro o diálogo é fácil e fazemos dez e conseguimos cinco. Não é bom, mas é melhor", explicou um autarca que, tal como outros que fizeram afirmações semelhantes, exigiram o anonimato.

G.B.R.

Uma Questão de Estilos

Domingo, 16 de Dezembro de 2001

Apesar do social-democrata e vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, reconhecer que um autarca de um partido diferente do do Governo "pode, eventualmente, estar mais à vontade para o afrontar", todos os presidentes de câmara ouvidos pelo PÚBLICO concordam num aspecto: as diferenças de actuação entre os dois únicos presidentes que a ANMP conheceu, Artur Torres Pereira, do PSD, e Mário de Almeida, do PS, decorrem, essencialmente, dos estilos pessoais. O primeiro mais mediático, o segundo avesso a protagonismos. Isto, eventualmente, retira força pública a actuações como a que o último teve há tempos, quando pediu aos autarcas do país que não cumprissem uma lei, a do Ruído. Mas não perturba, dizem os companheiros de direcção, a firmeza que o caracteriza nas reuniões com governantes.

Outro factor importante na actuação das direcções é quem está no Governo. Todos, inclusivamente estes e outros autarcas do PSD, dizem que o período de maior tensão que a ANMP já conheceu, se deveu a um estilo, sim, mas ao do primeiro-ministro Cavaco Silva. Aliás, Mário de Almeida liderou então a batalha da associação contra os governos do PSD - Cavaco suspendeu a Lei das Finanças Locais - mantendo a confiança dos autarcas sociais-democratas. Foi uma batalha dura, que culminou, em 1994, com o braço-de-ferro feito com Cavaco, que impôs aos homens do seu partido o afastamento dos orgãos directivos da associação. Num gesto que emocionou Mário de Almeida, os sociais-democratas empenharam-se naquilo que então se designou como "a vitória do Poder Local sobre as directivas partidárias". Obedeceram à disciplina exigida pela militância, não se candidatando ao Conselho Directivo, mas não hesitaram em votar na lista dirigida pelos socialistas, reelegendo Mário de Almeida com 95,8 por cento dos votos.

Com António Guterres, a associação conheceu uma nova fase: "A Cavaco fazíamos dez reivindicações para conseguirmos nenhuma. Com o actual primeiro-ministro o diálogo é fácil e fazemos dez e conseguimos cinco. Não é bom, mas é melhor", explicou um autarca que, tal como outros que fizeram afirmações semelhantes, exigiram o anonimato.

G.B.R.

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