António Pinho Vargas
Constituído por Sebastian Schmidt (violino), Nanette Schmidt (violino), Michael Scheitzbach (viola) e Bernard Schmidt (violoncelo), o Manderling Quartet tem como núcleo de reportório as principais obras clássicas e românticas, mas tem vindo a dar uma atenção crescente à música contemporânea.
Este é um dado significativo sobre a nova atitude dos músicos perante as obras contemporâneas, já que, como diz António Pinho Vargas, «há pouco mais de 20 anos, e sobretudo em Portugal, era difícil encontrar alguém disponível para tocar para lá de Debussy ou Bartók».
Organizada em quatro ciclos - Ligeti, Percussão, Música Portugesa e Polacos -, a programação de Serralves tem como ideia-base a preferência pela música do século XX. Para Pinho Vargas, essa é uma opção natural, já que Serralves é um museu de arte contemporânea. «Não ficaria bem a um museu deste tipo não apostar na música de hoje», afirma o compositor. Como é natural, misturam-se aqui algumas opções muito pessoais com outras que resultam apenas da necessidade de mostrar «algo capaz de cumprir uma função». E ainda Pinho Vargas: «Quando se programa não é preciso gostar de tudo da mesma maneira.»
György Ligeti é uma escolha muito particular de Pinho Vargas, que o considera um dos maiores compositores deste século. «O seu percurso peculiar, a sua inquietação estética, têm-lhe dado um lugar proeminente, e a sua obra não cessa de nos estimular, desafiando as nossas certezas e convicções.»
O ciclo «Ligeti 2» está programado para 23 de Maio, às 18h30, no auditório da fundação. O trio de violino, trompa e piano constituído por Zofia Woycecka, Bodhan Sebestik e Luís Filipe Sá interpretará a Sonata op. 17 para trompa e piano de Beethoven; frases e peça para violino e piano de Arvo Pärt; e para violino, trompa e piano de Ligeti. No segundo semestre realizar-se-á um terceiro ciclo com o pianista alemão Volker Banfield, criador dos estudos Ligeti e primeiro músico a gravá-los e tocá-los em concerto.
Uma vertente importante da programação musical de Serralves passa pela preocupação de estabelecer uma relação forte com a comunidade artística e musical do Porto ou da região, ao ponto de estar sempre assegurada a presença de um dado número de concertos com músicos locais. A outra característica é a presença regular de música portugesa, às vezes encomendada pela fundação.
É um incentivo à criação, que este ano se traduz na apresentação de obras dos compositores Isabel Soveral e Virgílio Melo. O ano passado foi António Sousa Dias a apresentar uma peça, em homenagem a Constança Capdeville, personalidade de grande importância em algumas movimentações culturais dos anos 70, designadamente a exposição da Alternativa Zero.
Às vezes sucede, como este ano, que a programação toma em consideração as exposições agendadas por Serralves. É estabelecidada uma relação que, segundo Pinho Vargas, «pode ter a ver com questões geográficas, ou cronológicas, ou afinidades estéticas, ou outro estilo de ligações menos explícitas». Durante os ciclos polacos, por exemplo, previstos para Outubro e Novembro, decorrerá em simultâneo uma exposição dos artistas plásticos Luc Tuymans e Miroslav Balka.
Ainda este mês, no dia 28, às 21h30, será apresentado o primeiro espectáculo do ciclo «Percussão Século XX». Trata-se de um concerto pelo grupo de percussão da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, com a peça In C, de Terry Riley.
A segunda apresentação está agendada para 21 de Novembro, com a peça Drumming, de Steve Reich.
A música portuguesa surge em Abril, com um concerto no dia 18, às 18h30, pelo grupo Vocalizos. Ana Ferraz, canto, António Costa, trompa, e Gabriela Canavilhas, piano, interpretam obras de Clotilde Rosa, Eurico Carrapatoso, Manuel Pedro Ferreira e António Victorino d'Almeida. O ciclo de música portuguesa fecha a programação musical deste ano com um concerto a 12 de Dezembro, proposto por Isabel Soveral.
Optimista quanto à receptividade do público a um tão alargado conjunto de propostas de música contemporânea, Pinho Vargas recorda que alguns dos concertos das temporadas anteriores estavam cheios. E que, por outro lado, «de uma maneira geral há um maior interesse pela música de hoje, quer por parte do público, quer por parte dos músicos».n
VALDEMAR CRUZ
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António Pinho Vargas
Constituído por Sebastian Schmidt (violino), Nanette Schmidt (violino), Michael Scheitzbach (viola) e Bernard Schmidt (violoncelo), o Manderling Quartet tem como núcleo de reportório as principais obras clássicas e românticas, mas tem vindo a dar uma atenção crescente à música contemporânea.
Este é um dado significativo sobre a nova atitude dos músicos perante as obras contemporâneas, já que, como diz António Pinho Vargas, «há pouco mais de 20 anos, e sobretudo em Portugal, era difícil encontrar alguém disponível para tocar para lá de Debussy ou Bartók».
Organizada em quatro ciclos - Ligeti, Percussão, Música Portugesa e Polacos -, a programação de Serralves tem como ideia-base a preferência pela música do século XX. Para Pinho Vargas, essa é uma opção natural, já que Serralves é um museu de arte contemporânea. «Não ficaria bem a um museu deste tipo não apostar na música de hoje», afirma o compositor. Como é natural, misturam-se aqui algumas opções muito pessoais com outras que resultam apenas da necessidade de mostrar «algo capaz de cumprir uma função». E ainda Pinho Vargas: «Quando se programa não é preciso gostar de tudo da mesma maneira.»
György Ligeti é uma escolha muito particular de Pinho Vargas, que o considera um dos maiores compositores deste século. «O seu percurso peculiar, a sua inquietação estética, têm-lhe dado um lugar proeminente, e a sua obra não cessa de nos estimular, desafiando as nossas certezas e convicções.»
O ciclo «Ligeti 2» está programado para 23 de Maio, às 18h30, no auditório da fundação. O trio de violino, trompa e piano constituído por Zofia Woycecka, Bodhan Sebestik e Luís Filipe Sá interpretará a Sonata op. 17 para trompa e piano de Beethoven; frases e peça para violino e piano de Arvo Pärt; e para violino, trompa e piano de Ligeti. No segundo semestre realizar-se-á um terceiro ciclo com o pianista alemão Volker Banfield, criador dos estudos Ligeti e primeiro músico a gravá-los e tocá-los em concerto.
Uma vertente importante da programação musical de Serralves passa pela preocupação de estabelecer uma relação forte com a comunidade artística e musical do Porto ou da região, ao ponto de estar sempre assegurada a presença de um dado número de concertos com músicos locais. A outra característica é a presença regular de música portugesa, às vezes encomendada pela fundação.
É um incentivo à criação, que este ano se traduz na apresentação de obras dos compositores Isabel Soveral e Virgílio Melo. O ano passado foi António Sousa Dias a apresentar uma peça, em homenagem a Constança Capdeville, personalidade de grande importância em algumas movimentações culturais dos anos 70, designadamente a exposição da Alternativa Zero.
Às vezes sucede, como este ano, que a programação toma em consideração as exposições agendadas por Serralves. É estabelecidada uma relação que, segundo Pinho Vargas, «pode ter a ver com questões geográficas, ou cronológicas, ou afinidades estéticas, ou outro estilo de ligações menos explícitas». Durante os ciclos polacos, por exemplo, previstos para Outubro e Novembro, decorrerá em simultâneo uma exposição dos artistas plásticos Luc Tuymans e Miroslav Balka.
Ainda este mês, no dia 28, às 21h30, será apresentado o primeiro espectáculo do ciclo «Percussão Século XX». Trata-se de um concerto pelo grupo de percussão da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, com a peça In C, de Terry Riley.
A segunda apresentação está agendada para 21 de Novembro, com a peça Drumming, de Steve Reich.
A música portuguesa surge em Abril, com um concerto no dia 18, às 18h30, pelo grupo Vocalizos. Ana Ferraz, canto, António Costa, trompa, e Gabriela Canavilhas, piano, interpretam obras de Clotilde Rosa, Eurico Carrapatoso, Manuel Pedro Ferreira e António Victorino d'Almeida. O ciclo de música portuguesa fecha a programação musical deste ano com um concerto a 12 de Dezembro, proposto por Isabel Soveral.
Optimista quanto à receptividade do público a um tão alargado conjunto de propostas de música contemporânea, Pinho Vargas recorda que alguns dos concertos das temporadas anteriores estavam cheios. E que, por outro lado, «de uma maneira geral há um maior interesse pela música de hoje, quer por parte do público, quer por parte dos músicos».n
VALDEMAR CRUZ