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30-11-2000
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Durante a tarde do 25 de Novembro, o clima que se vivia no país era de guerra civil. Raimundo Narciso conta que o PCP se preparou para o pior e como foi ao Ralis saber da disponibilidade desta unidade para distribuir armas aos seus militantes. P. - O PCP organizou-se para uma resistência armada de resposta ao avanço da direita? Distribuiu armas aos militantes, para responder aos ataques às suas sedes?

R. - As armas com que o PCP contava era conquistando capitães, majores e generais. P. - Não houve militantes armados?

R. - Havia, mas com armas legais, caçadeiras, pistolas e outras coisas, porque tomámos a decisão de não deixar sair as metralhadoras que tínhamos dos tempos da ARA, que ficaram de reserva. Chegou-se a pensar nelas para defender os centros de trabalho no Norte, no Verão quente, mas não foram utilizadas... P. - Receberam armas da extrema-esquerda?

R. - Não, mas no dia 25 de Novembro fui ao Ralis procurar saber se o Ralis estava na disposição de ir buscar alguns milhares de armas a Beirolas, que estava sob o seu comando, e distribuí-las a alguns milhares de trabalhadores que estavam concentrados em empresas da cintura industrial de Lisboa, enquadrados por duas centenas de ex-oficiais milicianos que estavam no Vitória [centro de trabalho do PCP]. P. - Porque é que o PCP tomou essa iniciativa?

R. - Isto já foi a uma hora um bocado avançada, mas era uma preparação de forças para que pudessem ser utilizadas, se houvesse uma decisão política nesse sentido. P. - O PCP preparou então uma espécie de plano B?

R. - Sim, vários, sem dúvida. Perguntei até ao Dinis de Almeida [comandante do Ralis] e ele respondeu que tinha que consultar o seu estado-maior. Ali, à minha vista, reuniu-se com três alferes das forças da extrema-esquerda que disseram: "O quê, armas para operários da cintura industrial de Lisboa comandados pelo PCP! São sociais-fascistas, pá, isso é contra-revolução, não damos armas nenhumas." P. - Cunhal, Eanes e Costa Gomes falam do papel razoável do PCP nos acontecimentos do 25 de Novembro. Isso foi pacífico dentro do partido?

R. - A nível central não havia divergências. Agora na multiplicidade dos militantes havia.

Durante a tarde do 25 de Novembro, o clima que se vivia no país era de guerra civil. Raimundo Narciso conta que o PCP se preparou para o pior e como foi ao Ralis saber da disponibilidade desta unidade para distribuir armas aos seus militantes. P. - O PCP organizou-se para uma resistência armada de resposta ao avanço da direita? Distribuiu armas aos militantes, para responder aos ataques às suas sedes?

R. - As armas com que o PCP contava era conquistando capitães, majores e generais. P. - Não houve militantes armados?

R. - Havia, mas com armas legais, caçadeiras, pistolas e outras coisas, porque tomámos a decisão de não deixar sair as metralhadoras que tínhamos dos tempos da ARA, que ficaram de reserva. Chegou-se a pensar nelas para defender os centros de trabalho no Norte, no Verão quente, mas não foram utilizadas... P. - Receberam armas da extrema-esquerda?

R. - Não, mas no dia 25 de Novembro fui ao Ralis procurar saber se o Ralis estava na disposição de ir buscar alguns milhares de armas a Beirolas, que estava sob o seu comando, e distribuí-las a alguns milhares de trabalhadores que estavam concentrados em empresas da cintura industrial de Lisboa, enquadrados por duas centenas de ex-oficiais milicianos que estavam no Vitória [centro de trabalho do PCP]. P. - Porque é que o PCP tomou essa iniciativa?

R. - Isto já foi a uma hora um bocado avançada, mas era uma preparação de forças para que pudessem ser utilizadas, se houvesse uma decisão política nesse sentido. P. - O PCP preparou então uma espécie de plano B?

R. - Sim, vários, sem dúvida. Perguntei até ao Dinis de Almeida [comandante do Ralis] e ele respondeu que tinha que consultar o seu estado-maior. Ali, à minha vista, reuniu-se com três alferes das forças da extrema-esquerda que disseram: "O quê, armas para operários da cintura industrial de Lisboa comandados pelo PCP! São sociais-fascistas, pá, isso é contra-revolução, não damos armas nenhumas." P. - Cunhal, Eanes e Costa Gomes falam do papel razoável do PCP nos acontecimentos do 25 de Novembro. Isso foi pacífico dentro do partido?

R. - A nível central não havia divergências. Agora na multiplicidade dos militantes havia.

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